segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Impressões e expectativas

Recebendo a insígnia de instrutor


Demorei muito para iniciar esse registro e publicá-lo neste blog. Confesso que neste ponto errei, pois as impressões das nossas experiências tendem ao esquecimento, se não a registramos logo. Nos primeiros momentos após o término da minha primeira avaliação, na Federação de Yôga de São Paulo, em dezembro de 2009, eu vivi um apanhado de sensações difíceis de descrever. Nos instantes que antecediam a prova, um nervosismo tomava o meu corpo, com um frio na barriga, arrepio na espinha e todas as sensações associadas à ansiedade de por à prova, em cerca de trinta minutos de avaliação, todo o trabalho realizado ao longo de 6 meses de esforço e dedicação a um único objetivo: tornar-me instrutor do Método DeRose.
Compreendi o valor da avaliação logo de cara, na abertura, durante o pújá ao Mestre DeRose. Não se tratava de uma atividade meramente acadêmica, que iria nos avaliar do ponto de vista técnico, mas sim uma atividade de cunho gregário, que fortaleceria os laços entre todo os presentes, ao mesmo tempo proporcionando um enorme aprendizado. Aquele pújá me proporcionou uma visão mais nítida do que é ser um instrutor formado, visão esta que continua sendo ampliada a cada nova vivência.
Na medida em que o tempo passava e a prova transcorria o nervosismo foi diminuindo e o aprendizado aumentando. Via com olhos atentos a prática ministrada pelos instrutores mais antigos, bem como os comentários da banca examinadora.
Mas, como é inevitável em situações como esta, o nível de nervosismo aumentou um pouco nos breves instantes que antecederam a minha prova de aula. No entanto, tudo correu bem. Passados alguns instantes de cada prova, o nervosismo foi reduzido e pude vivenciar mais plenamente a sensação de ser um instrutor e compreender de maneira um pouco mais clara qual seria, a partir de então, o meu papel na minha nova profissão.
Pratico SwáSthya Yôga desde de meados de 2004 (maio, mais precisamente). Este ano foi marcado pela minha ingressão na faculdade e pelo primeiro contato com o Método DeRose. Cada acontecimento foi uma escolha. Nossa vida no geral se torna o produto de todas as opções que decidimos seguir. Naquela ocasião, recebi insentivo para me tornar instrutor, mas creio que não estava preparado para essa escolha.
Desde que comecei a praticar muita coisa aconteceu na minha vida, e cá estou no meu primeiro ano como instrutor formado. Mas o que ocorreu ao longo desses anos que despertou em mim a intenção de mudar de profissão e seguir a carreira de instrutor, de seguir os passos trilhados pelos meus mentores? A resposta que consigo conceber hoje é: aumentou a minha vontade de ensinar, de transmitir conhecimento.
A primeira faculdade na qual ingressei iria me formar professor: licenciatura em física na UDESC, em Joinville. Lembro-me das aulas de cinemática e termodinâmica que tive no colegial, e da vontade que tinha de ensinar tudo aquilo do meu jeito. Não era uma questão de falta de didática da professora, pois isso ela tinha, e de sobra. Mas dentro de mim pulsava alguma coisa que me impulsionou para a licenciatura em física. Porém, a linguagem complexa e abstrata da matemática acadêmica foi o meu primeiro e derradeiro obstáculo.
Indeciso sobre o que seguir profissionalmente, passei a trabalhar em empresa da minha familia, numa área de prestação de serviços para hospitais e indústrias farmacêuticas na área de controle de qualidade. Toda a experiência nessa área me proporcionou grandes aprendizados, mas a satisfação plena estava longe de ser atingida.
Já no curso de Design de Produto, no qual me formei bacharel, aflorou novamente o meu lado professor. Iniciei um projeto de pesquisa acadêmica, num programa de iniciação científica (PIBIC). Explorei um tema na disciplina de Teoria e História do Design e pretendia fazer mais avanços no projeto ao final da graduação, culminando num mestrado em História do Design para finalmente lecionar em curos universitários.
Concluídos os estudos, retornei à Unidade Itaim, e como foi bom! Durante o período em que estive afastado da prática, procurei manter a prática de SwáSthya por conta própria, mas acabei ficando enferrujado com o tempo. Mas logo nos primeiros meses do meu retorno consegui entrar em forma e pegar o ritmo novamente.
No início de 2009 tomei a decisão de iniciar a complementação pedagógica para me tornar instrutor. Comecei as aulas em agosto do mesmo ano, com planejamento para me tornar instrutor em fevereiro de 2010. O estopim da minha decisão foi uma série de acontecimentos que geraram diversas reflexões acerca do rumo que minha vida estava levando. Olhei para trás procurando identificar qual tinha sido o motor de propulsão que me trouxe aonde estava, e concluí, não sem um certo desprazer, que eu não tinha uma motivação clara e objetiva: queria apenas viver uma vida feliz.
A partir disso, olhei novamente ao meu redor. Agora já me encontrava numa situação mais independente, já vivendo fora da casa dos meus pais e procurando escrever a minha própria história. Porém esta independência está sendo conquistada sem o nível de satisfação que eu almejo para mim. Ao observar a minha situação profissional, fiz uma projeção kármica, ( um bom exercício proposto pelo Mestre DeRose em uma de suas aulas) procurando "prever "o meu futuro daqui a, digamos 10 ou 20 anos. Atualmente eu estou feliz, vivendo uma vida saudável e plena no meu trabalho e em família, mas as circunstâncias do meu futuro dependem das escolhas e decisões que tomo hoje. O que eu "vi" nessa projeção não me agradou muito, e foi então que decidi mudar: quanto antes eu mudasse, mais tempo teria para desfrutar dos resultados.
Em meio a todos esses pensamentos, me veio à memória o ano de 2004. Às vezes nos esquecemos de certas coisas da nossa vida, por um motivo ou por outro. Mas as coisas importantes sempre vem à tona. Lembrei-me de uma fase difícil que passei naquele ano, indeciso sobre que rumo tomaria minha vida e realmente apreensivo, em virtude da falta de maturidade até certo ponto natural para um jovem de 20 anos. E lembrei-me do dia em que bati à porta da Unidade Itaim do Método DeRose, numa terça-feira, por volta das 15:00h. Meu olhar sobre as coisas começou a mudar a partir daquele contato com esta filosofia de vida maravilhosa que é o SwáSthya Yôga.
O que eu espero com a profissão é levar ao maior número de pessoas as mesmas sensações que senti nos primeiros meses de prática, e que continuo sentindo e vivenciando até hoje. Quero que outras pessoas travem contato com esta filosofia pois ela proporciona ganhos incomensuráveis em qualidade de vida e satisfação pessoal.
Eu escrevo esse texto hoje no início do meu período de estágio, em fevereiro de 2010. Pretendo usar esta vivência para compreender todos os ensinamentos passados pela Diretora da Unidade, bem como de todos os demais mebros da equipe, para que eu possa me tornar mais um membro desta egrégora de sucesso e contribuir para gerar mudanças e transformações nas vidas de muitas pessoas através do SwáSthya Yôga.

Um comentário:

  1. Flávio,

    Parabéns pelo lindo texto. Identifiquei-me muito com ele, pois também pretendo me formar ainda esse ano. Já fiz uma prova na Federação e é incrível como vc conseguiu relatar exatamente nossos sentimentos durante a prova.
    Tenho certeza que você fará uma carreira muito bonita como instrutor, vc tem muita sensibilidade e uma garra enorme. Senti em vc uma enorme vontade de passar seus conhecimentos, e quem não quer ter um professor assim, apaixonado pelo que faz! Sucesso.
    Lílian Doern - graduada, Unidade Brooklin

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