
No momento em que me deparo com as possibilidades e caminhos que minha vida pode tomar me pergunto uma coisa: o que é acaso e o que é escolha? Ao tentar responder a essa pergunta fico intrigado. Muito do que tenho hoje na minha vida é resultado das minhas escolhas, mas nem tudo.
Ao determinar certas mudanças e transformações, alterando hábitos antigos e já consolidados na minha personalidade, acabo me transformando e transformando também as pessoas com as quais convivo.
Isso remonta a um post antigo, um dos primeiros deste blog - que vergonhosamente está abandonado desde então. Nele, intitulado Impressões e expectativas menciono o que me motivou a seguir a profissão de instrutor e também divido um pouco desta experiência em si, descrevendo como me senti e reagi nos momentos decisivos da minha formação. E lá falei das escolhas que tomei ao longo deste percurso.
Conheço algumas pessoas que conseguem viver encarando a vida como uma sucessão de acontecimentos casuais, que possuem uma certa razão de ser, um "motivo maior", e se contentam em aceitar os acontecimentos tal qual surgem e se desenrolam em suas vidas. Como estou justamente tratando desse assunto, relacionado às escolhas de uma vida, cabe aqui a reflexão sobre o que é importante: viver suas escolhas ou ser levado pelo destino como um marionete?
Contrapondo esse aspecto subjetivo e de certa forma até um pouco submisso, temos a visão da vida que se desenrola à partir das escolhas tomadas. Esse modo de ver o mundo se manifesta em pessoas mais racionais, de certa forma cartesianas, que enxergam seu futuro com clareza à partir das decisões tomadas. É comum nesses casos sucumbir quando as expectativas não são atendidas, quando busca-se um determinado fim e ele não vem. Mas por que? Por que não deu certo, pergunta-se. Foi o acaso ou o fracasso?
Por isso creio que o segredo está em manter-se entre um ponto de vista e outro. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Podemos nos esforçar para suprir nossas escolhas, e de fato devemos correr atrás de nossos desejos, dos nossos sonhos e das nossas metas para a vida. O esforço quase sempre resulta em bons frutos, que colhemos depois de um longo trabalho cultivando nossos campos. Mas algumas pedras surgem, ao acaso ou não, elas surgem e interferem no desenrolar do acontecimentos. A felicidade que se obtém é um estado de espirito influenciado pelo nosso nível de satisfação com vida. Se estamos satisfeitos estamos felizes. Portanto o modo como olhamos para o nosso destino pode definir o quão felizes seremos.